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A produção de etanol: umaanálise das estratégias paraa redução do consumo de água
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Bahia anál. dados, Salvador, v. 23, n. 2, p.303-315, abr./jun. 2013
aplicados. Algumas unidades industriais estabele-
cem diretrizes de uso e reuso de água, com o ob-
jetivo de captação mínima e lançamento zero, com
vistas a um melhor gerencia-
mento do processo. Em al-
guns casos são empregadas
práticas de redução e reu-
so de água, como circuitos
fechados com torres, bem
como lançamento de águas
residuais para lavoura.
A seguir serão apresentadas detalhadamente as
principais etapas do processo produtivo de etanol.
Etapas de produção do etanol
A produção do etanol a partir do uso da cana-
-de-açúcar requer o cumprimento de algumas eta-
pas de preparo da cana para que se possa extrair o
produto final. A Figura 1 mostra um exemplo típico
de uma usina industrial mista sobre o processo de
produção de açúcar, melaço e etanol (álcool).
Na Figura 1, percebem-se claramente as opera-
ções abrangidas no processo de produção de uma
usina de etanol (pesagem, estocagem, lavagem,
preparo/moagem, clarificação do caldo, evapora-
ção, cozimento/turbinação) e de uma destilaria (fer-
mentação/centrifugação, destilação). Também se
observam as perdas envolvidas na produção de ál-
cool (no bagaço, na torta, na fermentação, na vinha-
ça, perdas indeterminadas e principalmente perdas
na água de lavagem) (PAIVA; MORABITO, 2007).
Paiva e Morabito (2007) demonstram que um
processo de produção do etanol na fase industrial
pode ser esquematizado de acordo com as seguin-
tes etapas:
1) pesagem
: esta etapa inclui a amostragem e
a recepção da cana. Tem como objetivo defi-
nir o teor de sacarose e de fibras e também o
percentual de sólidos solúveis. O descarrega-
mento deve ser mecanizado, sem haver arma-
zenamento da cana para se evitar a perda de
sacarose.
2) lavagem da cana-de-açúcar
: nesta etapa re-
tiram-se impurezas como terra, areia e outras
substâncias que possam danificar as máqui-
nas. Assim, também reduz-se
o desgaste dos equipamen-
tos envolvidos no processo,
além de se obter um caldo de
melhor qualidade. Recomen-
da-se que a lavagem da cana
seja realizada antes da moa-
gem. Se feita com a cana pi-
cada, pode ocorrer um arraste muito grande de
sacarose pela água. Para reduzir a quantida-
de de água, deve-se eliminar a despalha com
fogo, diminuindo assim a aderência de terra e
pedregulhos. Outra medida recomendada é re-
alizar a lavagem em mesa separada daquela
onde ocorre o desfibramento, o que evita perda
de bagacilho aderido.
3) preparação para a moagem ou difusão
: nes-
ta fase, a cana é picada para facilitar a moagem
e passa por um eletroímã para retirar materiais
ferrosos e componentes metálicos.
4) processo de moagem ou difusão
: este pro-
cesso consiste em deslocar o caldo contido na
cana, que é constituída basicamente de caldo
e fibra. Passa-se a cana entre dois rolos, sobre
determinada pressão e rotação. Na extração
por moagem, a separação é feita pela pressão
mecânica dos rolos da moenda sobre o col-
chão de cana desfibrada. Na difusão, a cana
é conduzida em aparelhos conhecidos como
difusores, a fim de que a sacarose adsorvida
ao material fibroso seja diluída e removida por
lixiviação ou lavagem num processo de contra-
corrente. Durante a passagem do bagaço de
uma moenda para outra, realiza-se a embebi-
ção, ou seja, a adição de água ou caldo diluído,
com a finalidade de se aumentar a extração de
sacarose. A moagem permite a produção de
um bagaço final com grande potencial energé-
tico e que pode ser queimado e gerar energia
para a usina.
Algumas unidades industriais
estabelecem diretrizes de uso e
reuso de água, com o objetivo de
captação mínima e lançamento
zero, com vistas a um melhor
gerenciamento do processo